quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Canção de Ninar


Sempre que a noite chegava,
A mulher de tamanho econômico e força leonina
Levava o autor que vos escreve para uma rede balançante.
A mulher baixinha com um lenço amarrado na cabeça,
Entoava a canção mais tocada nas rádios dos idos de 1976.
A esforçada guerreira não sabia a letra... então, repetia o refrão e preenchia as lacunas com "nãnãnãs" afinados e pontuais:

- Eu te proponho... nãnãnã... nãnãnã... nãnãnã...

Roberto Carlos ficaria orgulhoso... rs.
A pequena Babá cantava até cansar a voz.
Mas.
O pequeno Pitoresco, alheio ao cansaço da Cantora, insistia constantemente:

- Babá... não pára... canta "eutipoponho".

E ela repetia... atendendo ao capricho da criança.
Depois de bons 33 anos.
Hoje de manhã.
Escutei essa mesma música em um rádio... na mesa de um colega de trabalho.
Não sei por qual motivo... me deu uma vontade louca de tirar uma soneca.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Doce Rotina


Comprei vida e reciclei identidades
Roubei cédulas e vomitei promessas
Estou vivo em uma vida emprestada
Num mundo íntimo às avessas

Paguei com minha alma intocada
O ingresso de mil clubes de recreação
Canonizaram-me no sofrimento diário
No circo andante de uma falsa procissão

Aluguei minha boca ao alheio vocabulário
Fugi de todos os interrogatórios eventuais
Deixei o vento levar minhas certezas
Retirei de mim até a última gota de paz.

Cambiei minha dignidade por um fixo salário
Abandonei a parte de mim que sabia sorrir
Sangrei minha sola no caminho cego de casa
Agora... cala a boca e me deixa dormir !!!

Autor: Antonio Ximenes

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pára de Imitar o Renato !!!


Nos meus tempos de colégio, a minha banda nacional predileta foi Legião Urbana, predileção esta que se perpetua até os dias de hoje. As letras do Renato Russo e sua voz grave conseguiram contagiar a todos de minha geração... pois ele falava a “nossa língua”.

Lembro de ter comprado centenas de fitas-cassete virgens da BASF... aquelas vermelhas... para gravar os LP’s dos meus colegas. Estas fitas eram reproduzidas em uma altura ensurdecedora... (acabando com o juízo de minha Mãe)... nas tardes de sábado em meu quarto.

Decorei quase todas as letras... inclusive a "imensa" de “Faroeste Caboclo”.

Tá certo !!! Quase todos os jovens loucos de minha geração decoraram essa e outras letras... rs.

Confesso que eu tentava imitar a voz grave do Renato... era só começar a cantar e “quase sem querer” começava a imitá-lo.

Acompanhar aquelas músicas... cantando e tentando personificar o Renato... funcionava como uma terapia... um exorcismo de todos os problemas ou frustrações.

Isso não agradava a todo mundo... pois ficou na minha lembrança um pedido em tom de crítica feito uma certa vez, por uma amiga... a Viviane Barros:

- Ximenes... pára de imitar o Renato.

Aquilo me pegou de surpresa.

Tentei até cantar sem usar o “tom grave”... mas não era a mesma coisa.

Hoje, passados bons 20 anos deste ocorrido... me peguei ouvindo “Vinte e Nove”... e comecei a cantar junto e... adivinha só !!!... imitando o Renato.

Imaginem um cara de 37 anos cantando com uma voz grave e se divertindo muito com isso... rs.

Peço desculpas para a Viviane...

... mas...

... quem canta (imitando o Renato) seus males espanta.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Três Coisas


Eu só tenho três coisas para te dizer
Tinha medo de dizer antes
Buscava a melhor oportunidade
Você não parava um só instante
Achava que não havia necessidade

Eu só tenho três motivos para ceder
Na vida nunca fui muito sucinto
Passei a evitar te aborrecer
Vivendo na mesma sintonia
Percorrendo um caminho distinto

Eu só tenho três razões para continuar
Pesei com carinho cada uma delas
Filtrando os prós e os contras
Não tinha mais nenhum princípio a violar
Enquanto tu fazias cara de tonta.

Eu só tenho três coisas para te dizer
Mesmo no risco de parecer insano
Contar o que ganhei ou o que perdi
Uma das coisas é dizer que te amo
As outras duas... esqueci.

Autor: Antonio Ximenes

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Placas e Esquinas


Não.

Não quero mais que existam ruas com nomes de pessoas.

A posteridade deveria estar nos livros de história... ou em hospitais... museus... escolas.

Não agüento mais procurar por placas batizadas com pronomes próprios alheios.

Quero ruas e avenidas, vielas e travessas de batismos populares e democráticos.

Que tal ?!?

Rua da Lagoa... Avenida dos Feirantes.
Rua das Flores... Avenida dos Jardins.
Rua do Amor... Avenida dos namorados.

Quero uma Cidade de Praças e Pessoas... e não de nomes famosos em placas vandalizadas.

Guardem para si o “Duque de Caxias”... o “Floriano Peixoto”... o “Major Facundo”... o “José Bonifácio”... o “Pedro II”.

Tragam de volta a “Rua Formosa”... as alcunhas populares.

Deixem de lado a homenagem aos Coronéis do passado... aos Ditadores Empresários do Presente.

Devolvam ao Povo o direito de nominar o seu próprio espaço.

Isso sim.

Seria justo... seria correto...

Na nossa Rua dos Bobos... número zero.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Mundo começou para ELE...


Dimitri Ximenes.

O Menino chegou... dia 08/06/2009... um dia antes do aniversário do Pai.

Estou passando por uma delicada fase de adaptação... e por causa disso, tive que ser menos assíduo quanto ao meu blogue e meus escritos.

Prometo manter esse meu pequeno espaço cultural ativo e funcionando... e aumentar a freqüencia dos meus escritos.

Abração pra todo mundo

terça-feira, 12 de maio de 2009

Saber Viver


Uma das artes que durante toda minha vida tentei praticar e sem dúvida, ainda pratico, é respeitar os direitos das pessoas. Exercito a cortesia e a educação, inserindo esses hábitos na minha vivência em sociedade. Essa minha forma de agir seria uma qualidade pura e até admirável, porém esta virtude veio com um defeito inerente. Esse defeito consiste na minha compulsão em querer exigir dos outros a mesma educação e o mesmo respeito. No meu ponto de vista, essas virtudes são alimentadas desde o berço, cultivadas pelos pais, dentro de um convívio estruturado de uma família feliz. Apesar da importância deste acompanhamento familiar, ainda existem algumas pessoas que chegam a envelhecer sem nunca ter praticado um gesto de cortesia ou ter a consciência da necessidade de uma postura ou boa conduta em sociedade.

Citarei um pequeno exemplo prático.

Em uma determinada ocasião, eu estava numa fila de pagamento em uma agência bancária, quando uma senhora logo atrás de mim começou a espirrar com a boca descoberta, sem nenhuma intenção de ser discreta ou simplesmente tapar a boca com uma das mãos para evitar o jorro fatídico de sua saliva nas minhas costas. Cheguei a olhar algumas vezes por cima do ombro não logrando nenhum êxito. Privei-me de qualquer manifestação verbal, deixei-a desmanchar-se em muco, paguei a minha conta e fui em direção a saída, decepcionado com aquele exemplo de falta de respeito. No momento em que eu iria dar o primeiro passo fora da porta, uma pequena criança, passou por mim e disse de forma suave:
- Com licença, Senhor.

A miúda garotinha salvou minha fé na raça humana.

Restou-me a certeza de que certas virtudes começam a ser praticadas na infância... nela nascem, crescem e seguem adiante.